Conhecer é receber sinais, refletir sobre eles e concluir que o objeto do conhecimento existe. Seja esse objeto matéria – como uma bola de futebol, energia – como o trabalho (T) para levantar a bola de futebol ou abstrata – como o seu comprimento de onda (l).
Conhecer é absorver/apreender/captar para a consciência, como se a natureza última de um objeto fosse capturada pela mente, não sendo retirada do seu lar, mas como se a idéia fosse duplicada e nascesse ali. É dominar pela razão. Traduzir o real* para o idioma da racionalidade.
Mas a proposta que exponho com certa dificuldade (tenho inveja de quem usa de aforismos!) é de que o conhecimento da natureza, e da realidade que nos cerca, já foi todo desvendado diante de nós. Já compreendemos tudo o que estudamos. Nós não engatinhamos na ciência, mas na interpretação racional que damos àquilo que já conhecíamos. O nosso inconsciente, pelo menos, resta saber expressá-lo através da lógica e trazê-lo para o eu desperto (consciência).
Eu acredito em impulsos. Quis dizer existe algo externo a nós que incita em nosso cérebro as imagens que atribuímos a esse algo. Somo cegos. Ou seja, admitimos que não sabemos enxergar. Cegos, não, loucos! Criamos um mundo e suas leis físicas, mas não podemos provar que ele existe. Acreditamos no que vemos, mas não podemos provar que está ali. Se somos capazes de pensar algo já visto antes ou nunca visto, como provar que não está ali, que imaginar não é atrair esses impulsos para perto de nós? Enquanto desconhecermos os mecanismos que levam as informações do cérebro à nossa mente, é impossível crer no que se vê para além dela.
A teoria é a que segue: Em um plano há os impulsos, e nada se pode afirmar sobre eles que não seja a sua existência. É nesse plano que, em vida, somos capazes de nos comunicar com outras consciências, revestindo-nos de matéria física. Tudo o que experimentamos nesse plano são impulsos que trazem à nossa consciência a verdade contida no terceiro plano. Em outro plano, feito de outra matéria, há impulsos mais sublimes, nesse plano ficam as “almas”, e ele funciona exatamente como o primeiro plano. O terceiro plano é o que contém nossas consciências e a verdade abstrata, como a matemática e as leis da física. Raciocinando, estamos no terceiro plano, mas não deixamos de viver no primeiro, e quando morremos – provavelmente – vamos para o segundo, e lá morrendo voltamos para esse, alternando. O terceiro plano nunca é vivenciado sem o impulso de outro plano, e não é natural que consciências se comuniquem puramente através dele (telepatia). O primeiro e o segundo plano são paralelos, e não temos fácil meio de locomoção entre um e outro. O terceiro não é nem um plano, pois é ocupa lugar no espaço, ele está inserido e contendo os planos materiais e há janelas de comunicação entre eles, nós.
É preciso respeitar a janela de cada um, sua abertura e inclinação para as questões que buscamos, bem como à sua própria paz.
Esse texto, por exemplo, é baseado em nada além de certos lampejos vindos dessa janela. A impressão que tenho é que posso espiar dentro de mim e agarrar qualquer coisa de mim mesma e trazê-la pra fora. Escrevo para tentar tornar racional o que não passam de instintos incompreensíveis e – fica o convite – perfeitamente refutáveis.