Ora, eu sou muito mais interessante que um monte de poeira, e daí que as estrelas brilham no céu à noite? Eu tô viva, consciente e sou mais legal que um bloco de massa gigante com água e pessoas em cima, que nem é capaz de dizer “Pára tudo! A partir de hoje eu vou girar pro outro lado!”. Francamente…
segunda-feira, dezembro 15, 2008
sexta-feira, dezembro 05, 2008
A Traça
É uma traça que está mais pra monstro que pra traça. Que se alimenta de livros, de móveis, de vida e de gente. De plantas, de quadros, de fotos, de rostos. Almoça juventude, janta alegria, deixa rastros sobre a mesa. Consome lentamente as vísceras imateriais da lembrança da infância, afasta seus restos mortais. Jamais foi vista passando ou comendo, apenas sentimos o vazio deixado quando nos corrói por dentro. Eternamente roendo e cumprindo seu fado. E pra quem duvida de seu trabalho, corrói por fora, trabalho dobrado. Por onde ela passa, desfaz o passado, desfaz o sentido, desfaz a memória. O medo e a raiva se quedam aos pés daquela que também digere a insegurança. A saudade é a única imune à sua boca e seus dentes, pois até os afetos ela mina. Tão cruel é a traça do tempo.
quinta-feira, setembro 11, 2008
Por que lutar?
[mas devia ter palavras macias.
Lutar contra quê? Contra essa película de conformismo que cobre a sociedade atual. Contra essa falta de vontade de lutar, de reclamar, de criar, de agir, de escolher e de ser. Precisamos lutar contra aquilo que nos tira a sede da vida. E contra o que tira a própria vida.
É cada vez mais superficial o nosso pensamento, o nosso sentimento, o nosso instinto. Tornamo-nos tão pouco profundos que seriamos facilmente preenchíveis – e aparentamos satisfeitos cada vez mais rapidamente. Mas nunca se ouviu tantas queixas do famoso Vazio, o que ataca nos momentos de reflexão. Seria um sinal? A estranha sensação de que ainda há algo de errado? Ou seria um ruído vindo debaixo da nuvem de poeira, daquilo que ela devia esconder ou acalmar?
E eu pergunto, e por que aceitar?
Aceitar o que pode ser melhor, o que nos faz mal, o que nos cega, o que nos imobiliza... Parece certo pra você? Abonar o desrespeito (a mim e a quem vive – humano ou não) nunca me soou a única opção.
E os direitos humanos? E a camada de Ozônio? E o Oriente Médio? E a África? E a Amazônia? E o Cerrado? Lutar contra tudo aquilo de que se reclama, enquanto assiste ao jornal e cruzam-se os braços. Lutar contra o que regride e contra o que nos arrasta. Mas principalmente, lutar pelo ideal, lutar pelos princípios, pelo sonho, por você, pelos que foram e pelos que virão. Pelos que não têm sonho e pelos que não têm nada.
- Sentar a bunda na frente desse computador o dia todo é uma escolha sua (e um problema nosso), mas não será por falta de causa por que lutar. -
A Arma? A informação. Mas atire, que conhecimento parado e merda tem definições muito próximas. Pratique e passe adiante.
terça-feira, setembro 02, 2008
Campanha Prévia
Sabe o que é nulo? Nulo é inexpressivo, é descartável, é mudo e incapaz. Nulo é aquele que espera que decidam por ele. É aquele que pensa que seu voto vai fazer falta ao político corrupto, mas não vai, não. A tua pátria é que precisa do teu voto. Ela que precisa da tua opinião, precisa da tua voz, precisa dos teus atos. Silêncio não é revolta, não, é medo. E achar que todo político é ladrão e que não vai ter seu voto... Não é esperteza, é ignorância.
Aí não vota, perde a oportunidade de falar, e só vai deixar pra abrir a boca depois do estrago feito. Aí é fácil falar do erro e dizer que não teve participação. Não teve? Quem cala, consente. O que foi feito... Foi feito com o teu mais completo apoio, cidadão nulo. Que previu o desastre e não se pronunciou. Depois, se não respeitarem tua cidadania, vai e cala de novo! Que eu quero saber que direito tu tens de reclamar, e de dizer ‘Cansei’. Cansou de quê? De ficar parado? É, até eu cansei de te ver assim.
É a minha primeira eleição, só agora eu senti a pressão e o frio na barriga que só sente quem dá valor ao voto. Agora eu imagino que seja bem mais fácil votar de olhos fechados. Mas ainda bem complicado conviver com isso por quatro anos. Mas eu vou pensar bem, eu vou dar o melhor de mim. E quando puder, vou estar lá. Levando escarro de eleitor desacreditado, implorando atenção e confiança de desconhecidos, e torcendo pra que possa fazer algo por eles. Ainda não é gratificante. Mas, num balanço geral, nada que eu sinto que devo fazer me pareceu gratificante nos últimos tempos.
domingo, agosto 31, 2008
Chico Buarque
– Obrigada.
– Você não me ama?
– ... ... ... Não.
– Oh, estou desolada ao saber disso, estou sentindo náuseas...
– Ah, você é muito inteligente pra sua idade.
– Ainda sinto náuseas.
– Certo, então olha aqui esse CD do Chico Buarque, pra você não ficar triste.
Nada pra se refletir. Mas eu não sei por que o título é Chico Buarque, ele nunca sofreria de tal falta de tato. Também não vou contar o final de história, chega a ser trágico de tão cômico – e essa não é a ordem natural das coisas.
A lição mais interessante é o poder das palavras “eu te amo”. Não de comoção, mas de barganha mesmo. Diga que ama pra alguém que não te ama. Capaz de conseguir até um carro. Qualquer coisa material, qualquer favor, tudo menos reciprocidade. A parte mais interessante do processo é que nunca se diz “eu te amo” esperando qualquer outra coisa que não seja reciprocidade. Oh, acho que mudarei o título pra ”Culpa.” Mas você devia tentar. Eu não dei sorte, sua culpa só valia uns 15 reais e um livro usado. Mas talvez você consiga um novo.
E, só por preguiça de trocar o título, uma consideração sobre o Chico Buarque. Apesar da belíssima Eu te amo, a letra que melhor ilustra esse post é Carolina.
“Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar...”