domingo, maio 02, 2010

Sinais – Do conhecimento

Conhecer é receber sinais, refletir sobre eles e concluir que o objeto do conhecimento existe. Seja esse objeto matéria – como uma bola de futebol, energia – como o trabalho (T) para levantar a bola de futebol ou abstrata – como o seu comprimento de onda (l).

Conhecer é absorver/apreender/captar para a consciência, como se a natureza última de um objeto fosse capturada pela mente, não sendo retirada do seu lar, mas como se a idéia fosse duplicada e nascesse ali. É dominar pela razão. Traduzir o real* para o idioma da racionalidade.

Mas a proposta que exponho com certa dificuldade (tenho inveja de quem usa de aforismos!) é de que o conhecimento da natureza, e da realidade que nos cerca, já foi todo desvendado diante de nós. Já compreendemos tudo o que estudamos. Nós não engatinhamos na ciência, mas na interpretação racional que damos àquilo que já conhecíamos. O nosso inconsciente, pelo menos, resta saber expressá-lo através da lógica e trazê-lo para o eu desperto (consciência).

Eu acredito em impulsos. Quis dizer existe algo externo a nós que incita em nosso cérebro as imagens que atribuímos a esse algo. Somo cegos. Ou seja, admitimos que não sabemos enxergar. Cegos, não, loucos! Criamos um mundo e suas leis físicas, mas não podemos provar que ele existe. Acreditamos no que vemos, mas não podemos provar que está ali. Se somos capazes de pensar algo já visto antes ou nunca visto, como provar que não está ali, que imaginar não é atrair esses impulsos para perto de nós? Enquanto desconhecermos os mecanismos que levam as informações do cérebro à nossa mente, é impossível crer no que se vê para além dela.

A teoria é a que segue: Em um plano há os impulsos, e nada se pode afirmar sobre eles que não seja a sua existência. É nesse plano que, em vida, somos capazes de nos comunicar com outras consciências, revestindo-nos de matéria física. Tudo o que experimentamos nesse plano são impulsos que trazem à nossa consciência a verdade contida no terceiro plano. Em outro plano, feito de outra matéria, há impulsos mais sublimes, nesse plano ficam as “almas”, e ele funciona exatamente como o primeiro plano. O terceiro plano é o que contém nossas consciências e a verdade abstrata, como a matemática e as leis da física. Raciocinando, estamos no terceiro plano, mas não deixamos de viver no primeiro, e quando morremos – provavelmente – vamos para o segundo, e lá morrendo voltamos para esse, alternando. O terceiro plano nunca é vivenciado sem o impulso de outro plano, e não é natural que consciências se comuniquem puramente através dele (telepatia). O primeiro e o segundo plano são paralelos, e não temos fácil meio de locomoção entre um e outro. O terceiro não é nem um plano, pois é ocupa lugar no espaço, ele está inserido e contendo os planos materiais e há janelas de comunicação entre eles, nós.

É preciso respeitar a janela de cada um, sua abertura e inclinação para as questões que buscamos, bem como à sua própria paz.

Esse texto, por exemplo, é baseado em nada além de certos lampejos vindos dessa janela. A impressão que tenho é que posso espiar dentro de mim e agarrar qualquer coisa de mim mesma e trazê-la pra fora. Escrevo para tentar tornar racional o que não passam de instintos incompreensíveis e – fica o convite – perfeitamente refutáveis.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Blinde-se. Arme-se. Desfrute a vida

Cadeado, muro, grade, senha. Artifícios que utilizo para garantir a minha segurança e a de meus bens. Um zelo que seria desnecessário se eu não tivesse (quisesse) tanto. Segurança. Insegurança. Ainda que eu esteja devidamente escoltado pelas paredes, portões e suas fechaduras, o medo pula o muro e me encontra. A violência do noticiário entra pela TV e me espreme no sofá. Ainda que eu troque de canal, ainda que eu feche as janelas, o medo é líquido e entra pelas frestas.
Checo cada tranca e ativo todos os alarmes do carro, da casa; mas o perigo de perder o que tenho não é a única sensação a me tirar o sono. Isolando-me da marginalidade, escondendo-me da violência, afastando-me da cidade, privando-me de passeios noturnos, evito certos lugares e, até mesmo, tranco-me em casa “para não dar chance ao ladrão”. A pergunta inquietante é: se me afasto da sociedade, quem é o marginal? Se me tranco em casa, quem foi preso? Minha mente não é tão bem protegida quanto a minha conta no banco, nem blindada como meu carro e torna-se cada vez mais difícil evitar que ela seja invadida por pensamentos como esse.
Outra inquietação que me acomete diz respeito à responsabilidade social pelo bandido de que fujo. O sistema que o coloca à margem da sociedade é o mesmo que me coloca no topo. Se tenho tanto que preciso protegê-lo; acaso não é um pouco do que tenho, que falta àquele que me agride? Aquilo de que ele precisa não é dele por que é meu. Mas ele ainda precisa, e por isso rouba. Quem se tornou o bandido, enfim?
Ignorando essas e outras frustrações, tranco-me com minhas posses e meus iguais num condomínio fechado e gozo de todo o luxo e conforto de que disponho. Agarro com força as vantagens de minha prisão domiciliar e não preciso pensar no bandido, no mundo real, nem em tudo o que perdi.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O Mito do amor que completa

Típico da civilização atual, o mito do amor que completa se origina na infelicidade e insatisfação social.Tal como a insatisfação pública gera o mito do herói, a solidão gera o mito do amor. O maior câncer¹ da cultura contemporânea é o hábito nefasto de afastar de si a responsabilidade sobre si mesmo, depositando-a nas mãos etéreas do Estado, do Destino, da mítica Sociedade.

Já viste a sociedade? Já conversaste com ela? Como pode este organismo maléfico de efeitos tão nocivos, confundir-se tão intimamente conosco em seu conceito essencial?

Simplesmente por que a Sociedade é formada por nós, ainda que usada como depósito imaginário de tudo o que há de podre dentro de nós, bem como dos renegados responsabilidade e poder de decisão.

Dissipando-se estes agentes ilusórios, criados por nós para aliviar a realidade, nos deparamos com algo nem tão duro nem tão frio, mas perfeitamente aceitável que é a felicidade e a plenitude da existência².

Quando temos a coragem necessária para resgatar para nossas mãos a responsabilidade por nossa existência, para voltarmos a ser os únicos capazes de escolher por nós, de optar por ser o que queremos ser³, então não há fator externo mais capaz de nos tornar felizes que a nossa consciência.

O mito do amor que completa é uma consequência e uma causa da emancipação da felicidade, que deixa de ser parte de nós para ser vista como um objeto, uma fator que nos causaria a felicidade. Nega-se a felicidade quando se racionaliza este instinto natural de contentamento.

A necessidade de um motivo pra ser feliz encaixa-se na organização social monogâmica e patriarcal em que vivemos, formando a idéia errônea de que é preciso viver um amor conjugal para ser completo e feliz. Que o amor é o agente causador da felicidade buscada, tão cegamente, em todos os lugares errados. A Plenitude, nunca encontrada, provoca a desilusão amorosa, a frustração da espectativa de vida plena com o ser amado .

Somente na admissão de si mesmo, e não do amor, como agente da nossa felicidade, é que será possível a realização pessoal e conjugal, bem como da vida pública, por consequência.

O amor não é uma necessidade, uma obrigação ou um caminho para regeneração. O amor é natural e involuntário, um instinto inofensivo. O amor deve ser vivido, não especulado, nem cobrado de qualquer coisa boa que dizem vir do amor. Mas isso é matéria pra outro post, esse aqui acabou.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

O Significado da Vida

Ora, eu sou muito mais interessante que um monte de poeira, e daí que as estrelas brilham no céu à noite? Eu tô viva, consciente e sou mais legal que um bloco de massa gigante com água e pessoas em cima, que nem é capaz de dizer “Pára tudo! A partir de hoje eu vou girar pro outro lado!”. Francamente…

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A Traça

É uma traça que está mais pra monstro que pra traça. Que se alimenta de livros, de móveis, de vida e de gente. De plantas, de quadros, de fotos, de rostos. Almoça juventude, janta alegria, deixa rastros sobre a mesa. Consome lentamente as vísceras imateriais da lembrança da infância, afasta seus restos mortais. Jamais foi vista passando ou comendo, apenas sentimos o vazio deixado quando nos corrói por dentro. Eternamente roendo e cumprindo seu fado. E pra quem duvida de seu trabalho, corrói por fora, trabalho dobrado. Por onde ela passa, desfaz o passado, desfaz o sentido, desfaz a memória. O medo e a raiva se quedam aos pés daquela que também digere a insegurança. A saudade é a única imune à sua boca e seus dentes, pois até os afetos ela mina. Tão cruel é a traça do tempo.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Por que lutar?

Eu não assisti ao que aconteceu antes de eu nascer. E fico perdida, sem saber exatamente como e quando ocorreu. Sem saber que forma tinha ou se era invisível. Eu só sei que isso-que-foi... Foi como uma neblina assolando o planeta. Trazendo torpor e sonolência aos cidadãos do mundo. Foi feio e foi agressivo
[mas devia ter palavras macias.

Lutar contra quê? Contra essa película de conformismo que cobre a sociedade atual. Contra essa falta de vontade de lutar, de reclamar, de criar, de agir, de escolher e de ser. Precisamos lutar contra aquilo que nos tira a sede da vida. E contra o que tira a própria vida.
É cada vez mais superficial o nosso pensamento, o nosso sentimento, o nosso instinto. Tornamo-nos tão pouco profundos que seriamos facilmente preenchíveis – e aparentamos satisfeitos cada vez mais rapidamente. Mas nunca se ouviu tantas queixas do famoso Vazio, o que ataca nos momentos de reflexão. Seria um sinal? A estranha sensação de que ainda há algo de errado? Ou seria um ruído vindo debaixo da nuvem de poeira, daquilo que ela devia esconder ou acalmar?
E eu pergunto, e por que aceitar?
Aceitar o que pode ser melhor, o que nos faz mal, o que nos cega, o que nos imobiliza... Parece certo pra você? Abonar o desrespeito (a mim e a quem vive – humano ou não) nunca me soou a única opção.
E os direitos humanos? E a camada de Ozônio? E o Oriente Médio? E a África? E a Amazônia? E o Cerrado? Lutar contra tudo aquilo de que se reclama, enquanto assiste ao jornal e cruzam-se os braços. Lutar contra o que regride e contra o que nos arrasta. Mas principalmente, lutar pelo ideal, lutar pelos princípios, pelo sonho, por você, pelos que foram e pelos que virão. Pelos que não têm sonho e pelos que não têm nada.

- Sentar a bunda na frente desse computador o dia todo é uma escolha sua (e um problema nosso), mas não será por falta de causa por que lutar. -

A Arma? A informação. Mas atire, que conhecimento parado e merda tem definições muito próximas. Pratique e passe adiante.