terça-feira, setembro 02, 2008

Campanha Prévia

Condeno o voto nulo.
Sabe o que é nulo? Nulo é inexpressivo, é descartável, é mudo e incapaz. Nulo é aquele que espera que decidam por ele. É aquele que pensa que seu voto vai fazer falta ao político corrupto, mas não vai, não. A tua pátria é que precisa do teu voto. Ela que precisa da tua opinião, precisa da tua voz, precisa dos teus atos. Silêncio não é revolta, não, é medo. E achar que todo político é ladrão e que não vai ter seu voto... Não é esperteza, é ignorância.
Aí não vota, perde a oportunidade de falar, e só vai deixar pra abrir a boca depois do estrago feito. Aí é fácil falar do erro e dizer que não teve participação. Não teve? Quem cala, consente. O que foi feito... Foi feito com o teu mais completo apoio, cidadão nulo. Que previu o desastre e não se pronunciou. Depois, se não respeitarem tua cidadania, vai e cala de novo! Que eu quero saber que direito tu tens de reclamar, e de dizer ‘Cansei’. Cansou de quê? De ficar parado? É, até eu cansei de te ver assim.
É a minha primeira eleição, só agora eu senti a pressão e o frio na barriga que só sente quem dá valor ao voto. Agora eu imagino que seja bem mais fácil votar de olhos fechados. Mas ainda bem complicado conviver com isso por quatro anos. Mas eu vou pensar bem, eu vou dar o melhor de mim. E quando puder, vou estar lá. Levando escarro de eleitor desacreditado, implorando atenção e confiança de desconhecidos, e torcendo pra que possa fazer algo por eles. Ainda não é gratificante. Mas, num balanço geral, nada que eu sinto que devo fazer me pareceu gratificante nos últimos tempos.

Aleijado

Não espera o milagre acontecer.
Levanta-te e anda.
Porra!

domingo, agosto 31, 2008

Chico Buarque

– Eu te amo.

– Obrigada.

– Você não me ama?

– ... ... ... Não.

– Oh, estou desolada ao saber disso, estou sentindo náuseas...

– Ah, você é muito inteligente pra sua idade.

– Ainda sinto náuseas.

– Certo, então olha aqui esse CD do Chico Buarque, pra você não ficar triste.

Nada pra se refletir. Mas eu não sei por que o título é Chico Buarque, ele nunca sofreria de tal falta de tato. Também não vou contar o final de história, chega a ser trágico de tão cômico – e essa não é a ordem natural das coisas.
A lição mais interessante é o poder das palavras “eu te amo”. Não de comoção, mas de barganha mesmo. Diga que ama pra alguém que não te ama. Capaz de conseguir até um carro. Qualquer coisa material, qualquer favor, tudo menos reciprocidade. A parte mais interessante do processo é que nunca se diz “eu te amo” esperando qualquer outra coisa que não seja reciprocidade. Oh, acho que mudarei o título pra ”Culpa.” Mas você devia tentar. Eu não dei sorte, sua culpa só valia uns 15 reais e um livro usado. Mas talvez você consiga um novo.
E, só por preguiça de trocar o título, uma consideração sobre o Chico Buarque. Apesar da belíssima Eu te amo, a letra que melhor ilustra esse post é Carolina.

Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar...