domingo, agosto 31, 2008

Chico Buarque

– Eu te amo.

– Obrigada.

– Você não me ama?

– ... ... ... Não.

– Oh, estou desolada ao saber disso, estou sentindo náuseas...

– Ah, você é muito inteligente pra sua idade.

– Ainda sinto náuseas.

– Certo, então olha aqui esse CD do Chico Buarque, pra você não ficar triste.

Nada pra se refletir. Mas eu não sei por que o título é Chico Buarque, ele nunca sofreria de tal falta de tato. Também não vou contar o final de história, chega a ser trágico de tão cômico – e essa não é a ordem natural das coisas.
A lição mais interessante é o poder das palavras “eu te amo”. Não de comoção, mas de barganha mesmo. Diga que ama pra alguém que não te ama. Capaz de conseguir até um carro. Qualquer coisa material, qualquer favor, tudo menos reciprocidade. A parte mais interessante do processo é que nunca se diz “eu te amo” esperando qualquer outra coisa que não seja reciprocidade. Oh, acho que mudarei o título pra ”Culpa.” Mas você devia tentar. Eu não dei sorte, sua culpa só valia uns 15 reais e um livro usado. Mas talvez você consiga um novo.
E, só por preguiça de trocar o título, uma consideração sobre o Chico Buarque. Apesar da belíssima Eu te amo, a letra que melhor ilustra esse post é Carolina.

Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar...

Um comentário:

Anônimo disse...

Apenas não chore.